A síndrome de Down é uma das condições genéticas mais conhecidas em todo o mundo. Foi descrita pelo médico inglês John Langdon Down no século XIX, mas a sua causa só foi identificada no século XX quando os cromossomos foram identificados.

As características clínicas da síndrome de Down

  • É importante lembrar que cada pessoa com síndrome de Down é única e nem sempre todas as características descritas serão encontradas. Os achados clínicos incluem:
  • hipotonia global
  • fendas palpebrais de inclinação superior
  • epicanto
  • braquicefalia
  • perfil plano
  • excesso de pele na nuca
  • orelhas pequenas
  • boca pequena
  • mãos com dedos curtos
  • prega palmar única
  • clinodactilia de quintos quirodáctilos
  • prega única de flexão em quintos quirodáctilos
  • aumento do espaço entre 1º e 2º pododáctilos
  • arco tibial bilateral na avaliação dos dermatóglifos

A identificação de uma combinação destas características clínicas permite que o médico geneticista confirme o diagnóstico de síndrome de Down sem nenhum exame. No entanto, o exame de cariótipo tem sua utilidade como veremos abaixo.

O que precisa ser investigado na síndrome de Down?

Além das características clínicas já descritas, a síndrome de Down pode cursar com malformações internas. Por este motivo é muito importante a avaliação cardiovascular com ecocardiograma, um exame de imagem do cérebro, da região abdominal e das vias urinárias. O reconhecimento precoce de malformações internas ajuda a cuidar melhor desta pessoa e reduzir a chance de complicações futuras.

O que causa a síndrome de Down?

As pessoas com síndrome de Down tem um cromossomo 21 a mais, ou seja, elas tem a trissomia do cromossomo 21. Na maioria dos casos, a alteração ocorre ao acaso naquele embrião e não é herdada da família, é o que chamamos de trissomia livre.

No entanto, existe a possibilidade de a trissomia do 21 ocorrer na forma de uma translocação. A translocação entre cromossomos é uma alteração da estrutura de dois cromossomos que ao invés de estarem separados, estão ligados entre si. A realização do exame de cariótipo em banda G, após o diagnóstico clínico da síndrome de Down, é importante para entender o mecanismo que causou a síndrome em cada caso e, assim, realizar o aconselhamento genético da família.

Qual o risco de recorrência da síndrome de Down?

Como a maioria dos casos ocorre por trissomia livre e não é herdado da família, o risco de recorrência será muito parecido com o da população geral. Existe uma associação entre a idade materna e o surgimento de um caso de síndrome de Down, pois conforme a idade materna aumenta, a chance de uma trissomia livre no embrião também aumenta.

Por outro lado, nos casos em que são observadas translocações é obrigatória a realização de cariótipo dos pais para entender melhor o risco de recorrência da síndrome para o casal e para a família. Sempre é importante lembrar que esta informação será útil para outros membros da família que ainda não tiveram filhos

Referências

van Robeys J. John Langdon Down (1828-1896). Facts Views Vis Obgyn. 2016; 8(2): 131-136.

Jones KL, Jones MC, del Campo M. Smith’s recognizable patterns of human malformations. Elsevier.2021.

Ficou com dúvida? Entre em contato ou deixe seu comentário!

 

O conteúdo deste blog tem o objetivo de difundir a informação científica que está em constante atualização. Estas informações não substituem a avaliação médica.